Especialistas em neurologia alertam que a esclerose múltipla (EM), doença autoimune e crônica, pode afetar crianças, com 3% a 5% dos casos apresentando os primeiros sintomas antes dos 18 anos. O diagnóstico precoce e a aplicação de protocolos atualizados são fundamentais para controlar a evolução do quadro e evitar sequelas graves.
A doença é caracterizada por cicatrizes no sistema nervoso que impedem a transmissão correta dos impulsos elétricos dos neurônios. Os sintomas incluem tontura, falta de equilíbrio, visão embaçada e dificuldade de raciocínio. Segundo Manuela Fragomeni, coordenadora da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), existe um equívoco comum ao associar o termo ‘esclerose’ apenas ao envelhecimento ou perda de memória em idosos.
No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) estima que 40 mil pessoas convivam com a condição. Dados da Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (Fidi), referentes ao primeiro semestre de 2026, indicam que 75% dos diagnósticos ocorreram em adultos entre 19 e 59 anos, sendo 77% em mulheres.
Um menino de 12 anos, tratado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), relatou que os primeiros sinais foram formigamento nos pés e um quadro gripal. O diagnóstico definitivo ocorreu após quatro ressonâncias e a detecção de bandas oligoclonais no líquor. A família precisou de uma liminar na Justiça para acessar a medicação Ocrevus após recusa do convênio.
A médica Renata Paolillo, do serviço de neuroimunologia pediátrica do HC-FMUSP, afirma que as medicações atuais são menos agressivas para crianças e garantem maior estabilidade. A neurologista explica que isso resulta em menor evolução para a incapacidade e menos dependência cognitiva ou motora.
As ressonâncias magnéticas são os exames mais comuns para a detecção, mas Harley De Nicola, superintendente médico da Fidi, afirma que a avaliação clínica é indispensável para entender a localização e o comportamento das alterações. Embora não haja cura, os tratamentos reduzem surtos e retardam a progressão da doença.


