O descarte de milhares de toneladas de cascas de laranja em uma área degradada da Costa Rica transformou o local em uma região de vegetação densa e solo rico. A iniciativa, iniciada nos anos 1990, foi analisada por pesquisadores que constataram impactos expressivos na recuperação ambiental do terreno.
A proposta foi idealizada pelos ecologistas Daniel Janzen e Winnie Hallwachs, vinculados à Área de Conservação Guanacaste (ACG). Em 1997, os especialistas firmaram um acordo com a fabricante de sucos Del Oro para que a empresa depositasse resíduos de produção em terras degradadas. Em contrapartida, parte das propriedades florestais da companhia seria destinada à conservação.
Cerca de mil caminhões transportaram as cascas para a área antes que o projeto fosse interrompido por uma disputa judicial. Uma empresa concorrente processou a Del Oro, alegando que o descarte causava danos ao parque nacional, o que levou à suspensão da atividade.
O terreno ficou sem acompanhamento por aproximadamente 15 anos. Somente depois desse período pesquisadores voltaram a visitar o local para avaliar as consequências do descarte orgânico.
Um estudo divulgado em 2017 por uma equipe da Universidade de Princeton revelou que a biomassa acima do solo aumentou 176% na zona que recebeu os resíduos. As análises indicaram maior cobertura florestal e diversidade de árvores quando comparadas a regiões vizinhas.
Os dados apontaram ainda uma concentração superior de nutrientes no terreno. A apuração indica que as cascas de laranja foram determinantes para a recuperação do solo e o consequente crescimento da floresta.


