Ataques com drones aéreos e marítimos da Ucrânia contra o porto de Novorossiysk e outros terminais no Mar Negro bloquearam praticamente todas as exportações de grãos da Rússia. A ofensiva interrompeu as atividades em centros logísticos fundamentais, incluindo a Fábrica de Produtos Panificados de Novorossiysk (NKHP) e o terminal KSK, afetando a maior exportadora de trigo do mundo.
Novorossiysk é o maior porto da Rússia em volume de carga e um dos principais da Europa, sendo responsável por escoar até 1/3 das exportações de grãos do país. Segundo Andrei Sisov, diretor da consultoria agrícola SovEcon, as operações em terminais de águas profundas e portos de águas rasas no Mar de Azov foram suspensas. Atualmente, apenas o terminal de Tuapse, o menor para escoamento de grãos, permanece operando.
A Argus Media indica que a Rússia possui 45 milhões de toneladas de trigo disponíveis para exportação entre 2026 e 2027. No entanto, como 90% dos embarques ocorrem pelo Mar Negro, o abastecimento do mercado global tornou-se quase impossível. Sisov alertou que muitos produtores russos podem não sobreviver à temporada devido à deterioração financeira e à queda de preços interna provocada pelo excedente de grãos.
O setor de energia também registra impactos. O terminal de Sheskharis, que embarca cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia, interrompeu carregamentos em 14 de agosto, retomando as atividades dois dias depois. Dados do Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA) mostram que Novorossiysk embarcou 30% menos petróleo nas duas primeiras semanas de agosto em comparação ao ano anterior.
Isaac Levi, analista do CREA, explicou que ataques a embarcações, como o caso de um petroleiro grego em 17 de agosto, desestimularam a atracação em portos considerados alvos prioritários. Embora existam alternativas nos portos de Primorsk e Ust-Luga, no Mar Báltico, Levi afirmou que a capacidade é insuficiente para substituir os volumes de Novorossiysk e elevaria os custos de transporte.
A Rússia também intensificou ataques contra portos e embarcações ucranianas no Mar de Azov e no Mar Negro. Xiaoyi Deng, da Argus Media, informou que as interrupções mútuas impediram que as colheitas de ambos os países chegassem ao mercado global, já que infraestruturas alternativas, como a ferrovia para o Báltico ou os portos do rio Danúbio, não suprem a demanda.


