O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP) integram um projeto científico internacional para estudar a hepatite B. Coordenada pela Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, a iniciativa busca caminhos para o tratamento ou a cura da doença.
A pesquisa reúne equipes do Brasil, Índia, Senegal e Uganda para analisar como o vírus se comporta em nível celular em pacientes de diferentes regiões. O estudo observa a reação do sistema imunológico à infecção, incluindo casos de coinfecção com HIV. A professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes, disse que o objetivo principal do consórcio é encontrar a cura, já que a meta imediata é reduzir a doença a ponto de deixar de ser um problema de saúde pública até 2030.
No Brasil, as atividades começaram este ano e devem durar cinco anos, unindo pesquisa básica e acompanhamento clínico. O projeto pretende monitorar 600 pessoas por um período médio de quatro anos e meio. Cada um dos quatro países participantes contribuirá com 150 voluntários. A equipe de Reuter é responsável por 75 desses participantes.
O recrutamento começou em julho e já soma 40 voluntários. A previsão é fechar o grupo completo até o fim do ano, dentro do prazo estipulado para meados de 2027. Os cientistas investigam por que o vírus evolui de forma distinta em cada paciente, quais fatores genéticos contêm essa evolução e quais componentes do vírus podem sinalizar a cura.
As descobertas podem viabilizar novos medicamentos, como imunoestimulantes e imunomoduladores, além de prevenir a cirrose e o câncer de fígado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 240 milhões de pessoas conviviam com a forma crônica da doença em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou aproximadamente 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.
A OMS informou em relatório de julho que os novos casos de hepatites virais caíram 32% no mundo desde 2015, resultado do avanço da vacinação infantil, que atinge 84% das crianças. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não imunizadas, sem limite de idade.


