Um estudante do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), agredido por colegas na noite de terça-feira (25), negou ser nazista e afirmou que seu interesse por simbologia fascista é acadêmico. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Em entrevista concedida a um canal de notícias, o jovem disse que se identifica como “esquerda marxista” e que atua como observador de grupos extremistas para entender seus pensamentos, negando participação em comunidades de Telegram ou Discord. Sobre a camiseta que motivou as agressões, ele explicou que a peça pertence a uma banda punk e que a caveira estampada é de um crânio neandertal, diferente do símbolo da organização paramilitar nazista SS.
O estudante relatou ainda que utilizava um broche com uma suástica riscada, indicando ser “duplamente antinazista”. Ele negou ter proferido xingamentos racistas contra os agressores. Segundo o relato, o episódio nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH) começou com um desentendimento e evoluiu para socos, tapas e chutes, o que ele classificou como tentativa de homicídio.
Três dias após o ocorrido, o jovem afirmou sentir dores pelo corpo e apatia devido ao trauma, relatando dificuldade para comer e dormir. A Polícia Civil analisa vídeos gravados por testemunhas e realiza diligências para apurar tanto a denúncia de apologia ao nazismo quanto as agressões físicas.
A UFRJ e a direção do IFCS abriram uma comissão de sindicância para apurar os fatos. Em nota, a reitoria repudiou a apologia ao nazismo, fascismo e racismo, mas ressaltou que não admite violência como resposta a divergências ideológicas. A universidade informou que intensificou reuniões com a comunidade estudantil para evitar novos conflitos no campus.


