Estrategistas de mercado alertam para riscos crescentes em ações de empresas nas quais o governo dos Estados Unidos assumiu participações acionárias. A preocupação surge com a proximidade das eleições de meio de mandato e a possibilidade de o Partido Democrata conquistar a maioria em casas do Congresso, o que poderia levar a investigações e escrutínio jurídico sobre a estratégia.
A abordagem intervencionista do governo elevou os preços de diversas companhias. As ações da Intel Corp. dispararam mais de 300% no ano após relatos de negociações para a entrada do governo no capital da fabricante de chips. A MP Materials Corp. subiu 87% desde julho do ano passado, após investimento de US$ 400 milhões do Departamento de Defesa, enquanto a Trilogy Metals Inc. avançou 73% desde outubro.
Apesar dos saltos iniciais, muitos ativos perderam fôlego. As ações da Trilogy Metals chegaram a US$ 10,60 logo após o anúncio do acordo, mas recuaram para US$ 3,62. A MP Materials registrou alta de 150% em cinco semanas, mas caiu quase 27% no acumulado do ano. A Intel, embora beneficiada pela demanda de semicondutores para inteligência artificial, recuou 37% desde junho.
No campo jurídico, um processo de acionistas contra o conselho da Intel, o Departamento de Comércio e o secretário Howard Lutnick busca anular a posição do governo. A ação argumenta que o Chips Act não concede autoridade para exigir participação acionária como condição para subvenções, classificando o acordo como uma apreensão extorsiva. Lutnick pediu a rejeição do caso, alegando que a medida é amparada por lei federal e essencial para a defesa dos EUA.
No cenário político, a senadora Elizabeth Warren já questionou Lutnick sobre o investimento na Intel. Caso os democratas assumam o controle do Senado ou da Câmara, a tendência é a realização de audiências e a convocação de executivos ao Capitólio para investigar empresas com ligações com o governo e a família do presidente.
A estratégia atual difere de resgates passados, como o da General Motors em 2009, quando o Departamento do Tesouro assumiu 60% da montadora para evitar a falência. Atualmente, o governo é visto como um agente que escolhe vencedores no mercado, o que, segundo analistas, torna o valor das ações vulnerável a oscilações políticas e caprichos do mercado.


