Projetos culturais beneficiados pela Lei Rouanet captaram R$ 10,7 bilhões desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023. O volume supera os R$ 9,2 bilhões registrados durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, segundo levantamento baseado em dados do Ministério da Cultura.
As informações foram extraídas do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura. Os valores referentes a 2025 e anos anteriores foram corrigidos pela inflação até junho de 2026. O recorde histórico de captação permanece com o primeiro mandato de Dilma Rousseff, que somou R$ 10,8 bilhões.
Até 27 de agosto de 2026, empresas destinaram R$ 1,1 bilhão a projetos culturais por meio do mecanismo. Pelo sistema, projetos recebem autorização do Ministério da Cultura para buscar patrocinadores, e as empresas podem descontar os aportes do Imposto de Renda devido, dentro dos limites legais.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Thiago Leandro, afirmou que a intenção é ampliar o mecanismo nos próximos anos caso Lula seja reeleito. Leandro disse que a ideia é aumentar o investimento com responsabilidade, alegando que o retorno do mecanismo é superior ao valor investido.
A Petrobras é a principal financiadora da lei em 2026, liderando a lista de patrocinadores públicos e privados, seguida pela Vale e pelo Nubank. As empresas públicas da União responderam por R$ 312 milhões captados no ano; a Petrobras destinou R$ 278 milhões, o que representa 89% desse total. O Banco do Brasil aportou R$ 28 milhões e o Banco do Nordeste, R$ 5,5 milhões.
Em nota, a Petrobras informou que os valores correspondem a pagamentos previstos em contratos de patrocínio. A companhia declarou que os procedimentos seguem critérios técnicos, processos transparentes e práticas de governança em conformidade com a legislação.
Entre as maiores captações apresentadas para 2026 estão o plano plurianual da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo para 2027 a 2030, com R$ 201 milhões, o Museu do Petróleo e Novas Energias, com R$ 141 milhões, e o plano plurianual da Orquestra Ouro Preto, com R$ 105 milhões.


