Pelo menos dez candidatos a cargos eletivos que declararam patrimônio superior a R$ 500 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) constam em listas de beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e o Gás do Povo. O governo federal desembolsou mais de R$ 321 mil em auxílios para esse grupo nos últimos anos.
O maior patrimônio entre os beneficiários é do candidato a deputado estadual em Goiás, Sérgio Francisco (DC), que informou possuir R$ 1,2 milhão em imóveis, terrenos e veículos. Entre outubro de 2023 e junho de 2026, ele recebeu R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial, segundo dados disponíveis.
Outros dois candidatos também declararam bens milionários. A postulante a deputada federal por Goiás, Talita Lemke (PDT), recebeu R$ 34,5 mil de auxílios entre março de 2020 e junho de 2026, tendo declarado R$ 1,09 milhão em bens. Em Roraima, a candidata a deputada estadual Mirian Moreira (PL) obteve R$ 46,1 mil de programas federais desde 2013 e declarou um terreno de R$ 1 milhão.
A apuração identificou ainda casos em outros estados. Em Minas Gerais, Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir), candidato a deputado estadual, declarou R$ 870 mil e recebeu R$ 18,9 mil do Bolsa Família. Em Tocantins, Adelaide Pereira Cardoso (PL) informou patrimônio de R$ 700 mil e recebeu R$ 32,4 mil. Já a candidata a deputada federal por São Paulo, Cristiane Nascimento Pereira (Podemos), declarou R$ 695 mil e recebeu R$ 39,8 mil em auxílios.
No Espírito Santo, a candidata a deputada federal Bruna Soares (Republicanos), com patrimônio declarado de R$ 600 mil, recebeu R$ 40,6 mil. Ela afirmou que houve um erro na inserção dos dados e que fará a atualização, alegando que a formação do patrimônio não impede o benefício devido ao critério de renda familiar mensal.
Outros beneficiários incluem Jucelma Oliveira da Silva (PSD), no Mato Grosso, com R$ 600 mil em bens; Ricardo Silva Santos (PT), no Rio de Janeiro, com R$ 569,9 mil; e Adão Alves da Silva (PSB), em Goiás, com R$ 545 mil. Os valores recebidos por eles variam entre R$ 10 mil e R$ 38,2 mil.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que a existência de patrimônio, isoladamente, não é critério automático para impedir o acesso ao benefício. O órgão disse que informações patrimoniais podem ser usadas para identificar inconsistências cadastrais ou subdeclaração de renda. O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 218 mensais.


