O furto de fios e cabos atinge 29 dos 94 bairros de Porto Alegre, segundo pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas-POA). O levantamento indica que mais de 9 mil estabelecimentos comerciais da capital gaúcha estão potencialmente impactados pela modalidade criminosa.
O bairro Azenha concentra 12% das ocorrências, seguido pelo São Geraldo, com 9%. O Centro Histórico e o Moinhos de Vento registram 8% e 7% dos casos, respectivamente. A apuração detalha que o Centro Histórico possui cerca de 1.260 lojas, enquanto Sarandi tem 860 e Passo D’Areia, Floresta e Rubem Berta contam com 460 estabelecimentos cada.
Entre os efeitos relatados, a queda de internet e telefonia atinge 80% dos comerciantes, enquanto 75% sofrem com a falta de energia elétrica. Prejuízo financeiro direto (68%), sensação de insegurança (62%) e a paralisação de atividades (58%) também constam na lista de impactos. Cerca de 29% dos afetados ficaram com as operações paradas por mais de 24 horas.
Quanto aos valores, 39% dos lojistas apontam perdas entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, e 22% relatam prejuízos acima de R$ 10 mil. Em abril, outro estudo do Núcleo de Pesquisa do Sindilojas-POA indicou que 81,5% das empresas foram atingidas por esse crime em um ano, com perdas estimadas em mais de R$ 240 milhões.
Arcione Piva, presidente do Sindilojas Porto Alegre, afirmou que o mapa mostra que não se trata de ocorrências isoladas. Ele defendeu a fiscalização da cadeia de receptação e atuação coordenada entre os órgãos responsáveis. Atualmente, 74% dos comerciantes consideram a resposta do poder público inadequada.
Para enfrentar o problema, a entidade integra o Comitê Intersetorial de Combate ao Furto de Fios e Cabos (Cicabos), da prefeitura de Porto Alegre. Em outra ação, na quinta-feira (27), dois homens foram presos por furto de energia em Parobé, no Vale do Paranhana, durante operação conjunta da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS), Brigada Militar e Polícia Civil.


