Generais de quatro estrelas condenados por tentativa de golpe de Estado apresentaram defesas ao Superior Tribunal Militar (STM) para tentar evitar a expulsão definitiva da vida militar. Os oficiais cumprem penas de 19 a 26 anos em regime fechado, em celas improvisadas dentro de unidades militares, após condenações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os condenados estão Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa, e Paulo Sérgio de Oliveira, ex-comandante do Exército. Braga Netto foi sentenciado por coordenar um gabinete golpista e apoiar plano para assassinar o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin. Paulo Sérgio teria pressionado comandantes a impedir a posse de eleitos. Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, foi condenado por colocar tropas à disposição de um golpe.
O general Augusto Heleno, 78, também foi condenado por chefiar um gabinete de crise e orientar discursos contra as urnas, mas cumpre a pena em casa devido à doença de Alzheimer. Segundo o senador Hamilton Mourão, que visitou Braga Netto e Paulo Sérgio, os militares manifestam revolta com as sentenças. As penas são inferiores à de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão.
Paulo Sérgio, 68, ocupa cela com quarto, sala e banheiro privativo anexa ao Comando Militar do Planalto, em Brasília. Ele possui 35 visitantes cadastrados, número superior aos 11 permitidos para presos no Complexo da Papuda. Sua rotina inclui fisioterapia, atendimento psicológico, curso de administração hospitalar a distância e a realização do Enem, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Almir Garnier, 65, está detido na Estação Rádio da Marinha. O oficial recebe atendimento odontológico no Hospital Naval e realiza resenhas de livros religiosos. A Marinha solicitou que Garnier fizesse análises sobre a capacidade defensiva do país, mas o pedido foi negado por Moraes. O general agora realiza trabalhos de revisão gramatical e tradução.
As defesas enviadas ao STM descrevem os militares como profissionais de histórico impecável e respeitados na Força. O tribunal agora julgará as ações de expulsão definitiva dos oficiais da carreira militar. A condenação dos envolvidos completa um ano no dia 11 de setembro.


