A população da Islândia rejeitou, em referendo realizado neste sábado (29), a retomada das negociações para a adesão do país à União Europeia. Segundo a emissora pública RÚV, 52,8% dos eleitores votaram contra a reabertura das conversas, enquanto 47,2% manifestaram apoio à proposta.
O total de votos contrários foi de 118 mil, contra 105 mil favoráveis. Outros 1,6 mil votos foram contabilizados como brancos ou inválidos, o que representa 0,7% do total. A participação eleitoral atingiu 82,5%, a maior marca registrada no país desde as eleições parlamentares de 2009.
O resultado apresentou disparidades geográficas. Em Reykjavík, a capital, a retomada das negociações venceu nas duas circunscrições, com 57,5% no norte e 54,5% no sul. Em contrapartida, a rejeição superou 60% em algumas áreas de outras regiões do país.
O processo de adesão começou em 2010, após um pedido formal apresentado em julho de 2009. As conversas foram interrompidas depois das eleições parlamentares de 2013 e encerradas formalmente dois anos mais tarde, por decisão do então ministro das Relações Exteriores.
Em março de 2026, o governo aprovou a resolução para consultar a população. A primeira-ministra Kristrún Frostadóttir informou, na ocasião, que o referendo não decidia a entrada direta no bloco, mas apenas a reabertura do diálogo. Caso houvesse acordo futuro, uma nova votação seria necessária.
A comissária europeia para Ampliação, Marta Kos, afirmou antes do pleito que a Islândia já era parceira estratégica da União Europeia e integrava seu mercado interno. Kos disse que as negociações de adesão são específicas para cada país e consideram as realidades dos candidatos.

