O professor norte-americano Richard Feinberg, ex-assessor do presidente Bill Clinton, afirmou nesta segunda-feira (31) que a postura do governo de Donald Trump tem fortalecido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Feinberg, as ações do republicano favorecem a reeleição do petista.
Feinberg foi diretor sênior de Assuntos Interamericanos no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos entre 1993 e 1996. Ele também organizou a primeira Cúpula das Américas, realizada em 1994, em Miami.
O professor avaliou que o Itamaraty atua com competência, calma e profissionalismo. Para ele, a decisão de impedir a entrada de pessoas consideradas antidemocráticas enviadas pelo Departamento de Estado americano para proteger a democracia brasileira é uma resposta razoável.
Sobre a pauta econômica, Feinberg disse que o Brasil não permitiu que o governo norte-americano condicionasse a política comercial a objetivos políticos, citando especificamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua família. O Brasil teria tratado a questão como uma negociação, rejeitando a imposição de pautas políticas.
O ex-assessor afirmou que o avanço de políticos de direita na América do Sul não significa um alinhamento automático a Trump. Ele citou o Chile como exemplo de país que mantém relações econômicas e políticas diversificadas.
Feinberg classificou como exagero a ideia de que os países sul-americanos estejam se tornando colônias dos Estados Unidos. O professor explicou que discursos sobre domínio ou preeminência dificultam a colaboração estreita entre a América Latina e Washington.
A cooperação com os Estados Unidos, segundo ele, não deve significar a negação da soberania nacional dos países da região.

