A liga de futebol da Turquia tornou-se destino de jogadores de elite da Europa nesta janela de transferências, com contratações como Mohamed Salah, no Trabzonspor, e Rafael Leão, no Galatasaray. O movimento é impulsionado por salários líquidos elevados, onde os clubes assumem os impostos, e fortes investimentos de patronos com motivações políticas.
Mohamed Salah assinou com o Trabzonspor após o fim do contrato com o Liverpool, recebendo um salário de 17 milhões de euros por temporada e bônus de assinatura de 7 milhões de euros. O atleta também terá 20% da receita de produtos licenciados. O clube ainda contratou o brasileiro Fabinho, ex-jogador da Arábia Saudita. Já o Galatasaray anunciou Rafael Leão em negócio de 38 milhões de euros com o Milan, com salário líquido de 10 milhões de euros por temporada.
A estratégia financeira turca trata atletas como empresas. Segundo Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, a carga tributária é um terço da praticada nas principais ligas europeias. Como os clubes pagam os impostos, jogadores podem receber valores líquidos significativamente maiores do que em países como França ou Espanha. Salah, por exemplo, recebe 50% a mais do que em seu último contrato na Inglaterra, segundo a imprensa britânica.
O poder aquisitivo é reforçado por receitas em moedas fortes, como euros, provenientes de premiações europeias e cotas de TV, enquanto parte das despesas ocorre em liras turcas, moeda desvalorizada. O impacto comercial é imediato: o Trabzonspor vendeu 17 mil ingressos de temporada em 24 horas após a chegada de Salah, arrecadando 11 milhões de euros, e 82 mil camisas em duas semanas.
Apesar da agressividade no mercado, os quatro maiores clubes do país devem mais de 1 bilhão de euros. O Galatasaray chegou a vender seu centro de treinamento para a prefeitura de Istambul por 480 milhões de euros em 2023 para reduzir prejuízos. Irlan Simões, pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que os clubes recebem investimentos de mecenas que utilizam o esporte para fins políticos.
A gestão do elenco enfrenta o desafio do limite de 14 estrangeiros por partida. O Fenerbahçe, que contratou Romelu Lukaku, Mason Greenwood e Nathan Aké, possui 20 atletas estrangeiros no elenco. O excesso de jogadores internacionais resultou na ausência do brasileiro Anderson Talisca em jogo contra o Konyaspor no dia 22.


