Han Hak-ja, líder da Igreja da Unificação, foi condenada nesta sexta-feira por um tribunal de Seul a dois anos de prisão por suborno e infrações de financiamento político na Coreia do Sul. A decisão refere-se à entrega de joias e bolsas de luxo à ex-primeira-dama Kim Keon Hee, esposa do presidente deposto Yoon Suk Yeol.
A sentença detalha que os itens entregues — duas bolsas Chanel e um colar de diamantes — somavam 80 milhões de won, valor equivalente a US$ 57.900. Han, de 83 anos e viúva do fundador da organização, Sun Myung Moon, negou as acusações e classificou as denúncias como falsas.
Uma equipe especial de procuradores informou que os presentes foram entregues entre abril e julho de 2022 para obter favores empresariais e políticos. Kim Keon Hee já havia sido condenada no início deste ano a 20 meses de prisão por aceitar os subornos. A ex-primeira-dama admitiu ter recebido as bolsas, mas alegou que as devolveu sem utilizá-las.
A investigação revelou ainda a existência de US$ 19 milhões em dinheiro guardados no cofre pessoal de Han. Para a promotoria, o caso representa a primeira confirmação de que a Igreja da Unificação tentou comprar influência política no país.
Fundada na década de 1950 por Sun Myung Moon, a organização, formalmente chamada de The Family Federation for World Peace and Unification, é conhecida por realizar casamentos em massa. Críticos descrevem o grupo como semelhante a um culto e advogados apontam a coação de seguidores para a realização de doações financeiras.
A entidade mantém relações com políticos em Seul, Tóquio e Washington. Em 2021, figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-vice-presidente Mike Pence enviaram mensagens de vídeo para um evento da organização. Atualmente, a igreja é proibida em Cingapura e teve a dissolução determinada no Japão.


