Os Correios fecharam o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,5 bilhões, alta de 30,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A estatal deve encerrar este ano com o pior resultado de sua história, superando a perda de R$ 8,5 bilhões registrada em 2025.
Para conter a crise, o governo incluiu na proposta de lei orçamentária de 2027, enviada nesta segunda-feira (31) ao Congresso, a garantia de um aporte de R$ 6 bilhões. A medida acompanha a negociação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A direção da companhia já havia utilizado US$ 12 bilhões em créditos com garantia do Tesouro Nacional no ano passado para quitar dívidas bancárias de R$ 1,8 bilhão.
A empresa afirma que o prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre foi 5,5% menor que no período equivalente de 2025. Segundo a estatal, a melhora reflete a redução de despesas com pessoal e a reestruturação da dívida, que foi alongada de 18 para 180 meses. O plano de desligamento voluntário (PDV) já resultou na saída de 6.545 empregados.
Analistas de finanças, porém, questionam a magnitude dos avanços. Daniel Pecanka de Andrade aponta que a margem bruta permanece apertada: no semestre, a diferença entre a receita de R$ 7,9 bilhões e o custo de entregas foi de R$ 274,5 milhões, valor insuficiente para cobrir despesas administrativas e financeiras. O balanço também indica queda de R$ 460,4 milhões nas receitas do segmento internacional.
O economista Fernando Soares argumenta que o plano de reestruturação é insuficiente diante da concorrência no setor de encomendas e da queda do serviço postal. Ele sugere que o governo recorra ao Judiciário para permitir demissões baseadas na deterioração financeira da empresa. Em nota, os ministros Frederico de Siqueira Filho, Esther Dweck e Bruno Moretti afirmaram que o objetivo dos aportes é dar estabilidade à estatal.
Como parte da estratégia de corte de custos, os Correios abriram um novo PDV focado no fechamento de mil postos, entre agências e unidades de tratamento de carga. O presidente Lula declarou, na última quinta-feira, que não pretende vender a companhia.


