A mastologista e ginecologista Thamyse Dassie defende a substituição da estratégia de rastreamento de câncer de mama baseada apenas na idade por uma abordagem personalizada. Segundo a médica, a avaliação do risco individual, que pode ocorrer idealmente aos 25 anos, permite definir a conduta preventiva antes dos 40 anos.
A tendência atual busca considerar fatores como histórico familiar, alterações genéticas hereditárias, densidade mamária, características individuais, estilo de vida e fatores reprodutivos. A medida visa abandonar a ideia de uma estratégia única para todas as mulheres, permitindo identificar quem apresenta risco aumentado e necessita de acompanhamento diferenciado.
Para a maioria das mulheres, a mamografia de rotina começa aos 40 anos. No entanto, a médica explica que esperar até essa idade pode não ser a melhor opção para quem possui mutações genéticas ou risco elevado calculado por ferramentas específicas. Nesses casos, a indicação pode ser o início precoce do monitoramento.
A abordagem personalizada pode incluir a realização de ressonância magnética das mamas e a indicação de aconselhamento genético. A identificação de predisposição hereditária possibilita a discussão de estratégias de vigilância e a adoção de medidas para redução de risco.
Dassie afirma que a personalização do cuidado não implica a solicitação de mais exames para todas as pacientes. O objetivo é determinar quem realmente se beneficia de cada procedimento. Testes genéticos e exames complementares devem ser usados apenas quando acrescentam informações que modifiquem a conduta médica.
A transição para a medicina baseada em fatores individuais visa transformar o conhecimento do risco em uma ferramenta para decisões conscientes, reduzindo a ansiedade e otimizando o planejamento da prevenção mamária.


