Um mercado clandestino na internet comercializa logins e senhas que permitem o acesso a sistemas públicos e dados protegidos no Brasil. Os serviços, que custam até R$ 1 mil, incluem a alteração de processos judiciais, a exclusão de multas de trânsito e a retirada de mandados de prisão, segundo apuração de agências de imprensa.
Vendedores oferecem credenciais de servidores e autoridades para acessar plataformas protegidas, além de painéis com registros de Imposto de Renda, informações de saúde e dados de veículos. Um acesso à Secretaria de Segurança do Paraná era ofertado por pouco mais de R$ 100, enquanto um login do Tribunal de Justiça de Santa Catarina chegava a R$ 500.
Investigadores do Ministério Público do Rio Grande do Sul testaram as credenciais e confirmaram a funcionalidade dos acessos. O procurador de Justiça Fábio Costa Pereira afirmou que os criminosos conseguem realizar o que prometem. O promotor Leonardo dos Santos Rossi informou que a venda de credenciais já havia aparecido em denúncias anteriores.
No Tribunal de Justiça de Goiás, a Divisão de Inteligência identificou 350 acessos fraudulentos, com 140 adulterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão. A delegada da Polícia Civil de Goiás, Sabrina Leles, explicou que senhas de servidores e magistrados são usadas para fraudar ordens de prisão. Um casal foi preso por envolvimento nas invasões e responde ao processo em liberdade.
A Polícia Civil do Pará, em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), monitora a circulação de dados vazados. O pesquisador Alan Douglas Bento da Costa informou que 18 bilhões de dados foram expostos somente em 2026. Em Belém, grupos comercializam logins e senhas para a prática de crimes, incluindo a sextorsão.
Uma invasão ao sistema nacional de alertas da Defesa Civil, ocorrida em 20 de junho, disparou a palavra “misantropia” para milhões de celulares. A Secretaria da Justiça do Paraná confirmou que a plataforma sofreu invasão remota. A investigação apontou a utilização de credenciais de dois bombeiros do Pará.
A rede de grupos criminosos, descrita como “The Com”, é acompanhada pelo FBI e composta majoritariamente por jovens. Investigadores apontam que a vulnerabilidade ocorre por senhas reutilizadas e links maliciosos. O Conselho Nacional de Justiça e tribunais informaram que utilizam autenticação multifator e treinamento de funcionários. O Ministério da Saúde e a Receita Federal negaram evidências de invasão em seus sistemas.

