O governo brasileiro se reúne nesta segunda-feira (31), às 14h30, com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a relação tarifária entre os dois países. O encontro, realizado por videoconferência, é considerado exploratório e não deve resultar em acordo imediato ou conclusões definitivas nesta primeira rodada.
A reunião ocorre entre o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Este é o primeiro contato direto entre as equipes desde que as tarifas norte-americanas entraram em vigor.
Em 16 de julho, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% alegando que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio norte-americano. No dia 24 de julho, foi imposta outra sobretaxa de 12,5%, sob a justificativa de que o Brasil falhou no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo. O governo brasileiro contesta ambas as alegações, classificando-as como infundadas.
O tema dos minerais críticos não deve integrar a pauta desta conversa, pois o Brasil decidiu não ceder nesse ponto para obter alívio nas tarifas. Já o etanol deve voltar a ser discutido. Anteriormente, o Brasil propôs a redução de tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos de baixa produção nacional, como tecnologia da informação e maquinário.
A redução da tarifa brasileira sobre o etanol norte-americano foi condicionada à diminuição das barreiras dos EUA ao açúcar brasileiro, que superam 100% acima da cota anual de 150 mil toneladas. A vinculação foi estabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas as tarifas de 25% foram mantidas por Washington a partir de 22 de julho.
O reinício das conversas aconteceu após telefonema de 1h20 entre Lula e Donald Trump. Um acordo definitivo deve ficar para depois das eleições. Os dois presidentes têm encontro marcado em Nova York, na segunda quinzena de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU.


