Dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ocorrido em 31 de agosto de 2016, protagonistas do processo buscam novas chances eleitorais ou analisam o impacto do episódio. Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e a vereadora Janaina Paschoal disputam cadeiras no Congresso Nacional nas eleições de 2026.
Eduardo Cunha tenta agora a eleição por Minas Gerais, após ter recebido 5.044 votos em São Paulo em 2022. O ex-deputado, que teve o mandato cassado em 12 de setembro de 2016 por mentir sobre contas no exterior, conta com o apoio de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. No vídeo de apoio, Flávio afirma que Cunha teve papel importante ao derrubar Dilma, a quem chamou de talvez a pior presidente da história do país.
A vereadora Janaina Paschoal, também autora do pedido de impeachment, concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ela rejeita a tese de que o processo tenha sido político, afirmando que houve fundamento jurídico. Paschoal, que foi a deputada estadual mais votada do país em 2018 com 2.060.786 votos, declarou que o maior retrocesso do período foi a dominação do Judiciário.
O jurista Miguel Reale Júnior, que assinou o pedido de destituição, defende a medida alegando que o impeachment extinguiu a crise fiscal. Segundo ele, o PIB brasileiro caiu 7% entre 2015 e 2016 devido às pedaladas fiscais e à desconfiança econômica. Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, tornou-se crítico de Jair Bolsonaro em 2021, citando crimes de responsabilidade no combate à pandemia.
Kim Kataguiri, do partido Missão, busca seu terceiro mandato na Câmara. O deputado, que organizou protestos do Movimento Brasil Livre (MBL) em 2015, afirma que a decisão de entrar na política surgiu da falta de representatividade na época. Kataguiri diz que seu partido não busca eleitores decepcionados com a polarização, mas sim aqueles que querem a ocupação do polo da direita.
Outros nomes do período seguiram trajetórias distintas. O ex-senador Raimundo Lira, que presidiu a comissão especial de impeachment, não concorre nesta eleição e descreveu o trabalho como desgastante. Já Antônio Anastasia, que elaborou relatório favorável ao processo, é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2021. Ricardo Lewandowski, que classificou o episódio como tropeço da democracia, foi ministro da Justiça até janeiro de 2026.


