O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, afirmou nesta segunda-feira (31) que os Estados Unidos exportaram as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18 para seu país. A declaração ocorreu durante conferência sobre segurança pública promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Villatoro explicou que as organizações criminosas chegaram ao território salvadorenho após os EUA iniciarem a deportação de cidadãos no período posterior à guerra civil, ocorrida entre 1979 e 1992. O ministro disse que, na década de 1990, os membros de gangues não eram conhecidos em El Salvador e que o raciocínio americano teria sido devolver os migrantes após a assinatura da paz.
O ministro descreveu a guerra civil como um conflito imposto por duas potências que usaram o país como palco de disputa. Segundo ele, o acordo de paz impôs uma política de perdão e esquecimento, o que teria impedido o julgamento de criminosos de guerra, diferentemente do que ocorreu em tribunais europeus após conflitos similares.
Sobre a legislação, Villatoro citou três mudanças nos anos 1990 que teriam facilitado o avanço do crime. Ele mencionou a revogação de uma lei de ordem comunitária em 1994 e a Lei do Menor Infrator, do mesmo ano, que teria permitido às gangues recrutar jovens sob a garantia de impunidade.
O ministro classificou como nefastos o Código Penal de 1997 e o Código Processual Penal de 1996, alegando que o sistema não estava preparado para enfrentar organizações estruturadas. A Lei Orgânica da Polícia Nacional Civil, criada em 1992, também foi citada no contexto das mudanças legislativas.
Villatoro defendeu o regime de exceção do governo de Nayib Bukele como uma ferramenta constitucional para enfrentar o que chamou de estado criminal paralelo. A fala ocorreu um dia após encontro do ministro com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou ter se inspirado no modelo salvadorenho para seu plano de combate ao crime.

