Enchentes e deslizamentos na fronteira entre o Nepal e a região autônoma do Tibete, na China, deixaram 955 mortos e 4.471 desaparecidos, segundo balanços divulgados pelas autoridades dos dois países nesta segunda-feira (31). O desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira, que lançou água e sedimentos rio abaixo na última quarta-feira.
No Nepal, o total de mortos chegou a 939, enquanto a gestão de emergências revisou para baixo o número de desaparecidos, que agora é de 3.925. Já no Tibete, meios de comunicação estatais confirmaram 16 mortes e 546 pessoas desaparecidas. As operações de busca continuam em ambos os lados da fronteira diante da dimensão dos danos.
O governo nepalês iniciou nesta segunda-feira o enterro de parte dos corpos recuperados devido à falta de instalações de refrigeração. Amostras de DNA foram coletadas para que as famílias possam identificar os mortos posteriormente. Em centros improvisados, parentes buscam reconhecer vítimas por meio de fotografias exibidas em telas de LED.
Tropas e engenheiros do Exército nepalês tentam resgatar trabalhadores presos em um túnel de um complexo hidrelétrico. Um trabalhador indiano de 33 anos, resgatado no local, informou que seis colegas ficaram presos quando o piso da turbina foi submerso por lama; cinco foram salvos, mas um morreu.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, estimou que a reconstrução das áreas atingidas custará bilhões de dólares. Shah afirmou que o desastre é inimaginável e mencionou a contradição entre os impactos sofridos pelo país e suas baixas emissões de carbono, em um cenário de derretimento acelerado das geleiras do Himalaia.
No lado chinês, socorristas foram retirados para locais seguros no domingo após um novo deslizamento formar um lago na região. No posto fronteiriço de Gyirong, as equipes conseguiram avançar apenas 285 metros no domingo devido às condições do terreno. Autoridades monitoram a formação de novos lagos e o risco de novas enxurradas.


