O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, isentou o governo de Marrocos nesta segunda-feira (31) pela entrada irregular de cerca de 70 mil migrantes na cidade autônoma de Ceuta no mês passado. Sánchez afirmou que não há evidências de participação das autoridades marroquinas no evento, atribuindo o fluxo à desinformação difundida pela extrema direita internacional.
Em entrevista à rádio Cadena Ser, o premiê declarou que notícias falsas associadas à Rússia, a Israel e a grupos de extrema direita utilizaram a migração para atacar a Espanha e dividir a Europa. Segundo Sánchez, cerca de 5 mil pessoas permanecem no território do norte da África, incluindo 1,2 mil menores de idade não acompanhados.
A versão do governo diverge de dados de autoridades locais de Ceuta, que afirmam que 10 mil pessoas seguem na cidade. O enclave, com população de 80 mil habitantes, registrou pânico e protestos contra a falta de segurança e higiene após a travessia recorde.
Analistas apontaram que o volume de migrantes sugere omissão de Rabat, que teria motivos políticos e econômicos para pressionar Madri. A disputa envolve a reaproximação da Espanha com a Argélia e a concorrência entre os dois países africanos no fornecimento de gás natural para a União Europeia (UE).
No plano diplomático, a Itália prorrogou por 15 dias a suspensão das normas de livre-circulação do espaço Schengen com a Espanha. O Ministério do Interior italiano informou que a medida, instaurada em 1º de agosto, persiste devido a avaliações de segurança e imigração.
O governo espanhol reagiu com reciprocidade e prorrogou os controles de fronteira para passageiros que chegam ao país por via aérea ou marítima procedentes da Itália. A crise gerou críticas internas a Sánchez e tensões com aliados da UE, que questionam a política migratória progressista de Madri.


