A Grécia classificou como “ilegal” a criação de dois parques marinhos delimitados pela Turquia no Mar Egeu e no Mediterrâneo Oriental em 15 de agosto. O Ministério das Relações Exteriores grego afirmou que a medida não possui efeito jurídico por abranger áreas fora das águas territoriais turcas.
A reserva no Egeu abrange águas entre as ilhas de Lemnos e Samotrácia, enquanto o parque ao sul circunda Castelorizo e fica a leste de Rodes. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis declarou, em reunião de gabinete no dia 24 de agosto, que a Grécia está pronta para defender as áreas que decorrem do Direito Internacional.
A movimentação é vista por Atenas como parte da doutrina “Mavi Vatan” (Pátria Azul), estratégia turca para reivindicar zonas econômicas exclusivas da Grécia e do Chipre, além de questionar a soberania de ilhas gregas. O dogma agora é impulsionado por projetos de lei na Assembleia Nacional da Turquia.
A tensão ocorre após um período de aproximação iniciado em dezembro de 2023, com a Declaração de Atenas, assinada após a Grécia prestar apoio à Turquia durante o terremoto de fevereiro de 2023. Um ano antes, a Grécia também havia criado parques marinhos nas Ilhas Jônicas e Cíclades, o que foi criticado por Ancara como medida unilateral.
Para conter a superioridade militar turca, a Grécia investiu em fragatas, submarinos e sistemas de defesa. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), o país foi o 19º maior importador de armas pesadas entre 2021 e 2025.
Atenas também estabeleceu cooperação estratégica com Israel para desenvolver o “Escudo de Aquiles”, sistema de defesa aérea inspirado no Domo de Ferro israelense, com previsão de operação total a partir de 2029. Paralelamente, a Turquia assinou, em 7 de agosto de 2026, o Pacto de Defesa de Meca com a Arábia Saudita e o Paquistão.


