O Tesouro Nacional revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF) para aumentar a participação de títulos públicos atrelados à Selic no perfil da dívida federal. A emissão de papéis pós-fixados corrigidos pela taxa básica de juros chegou a 48,2% do total, o maior patamar registrado em 20 anos.
Até julho, os títulos remunerados pela Selic somaram R$ 2,8 trilhões, dentro de um montante de R$ 5,7 trilhões emitidos em 2026. O volume supera a série histórica do órgão, iniciada no segundo mandato de Lula. O recorde anterior ocorreu entre 2019 e 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro, quando a participação desses papéis era de 34%.
As Letras Financeiras do Tesouro (LFT), vinculadas à Selic, representam agora 51,1% do estoque total da dívida pública federal. O índice é o mais alto desde agosto de 2003, quando atingiu 51,3%. Em função disso, o Tesouro alterou o intervalo de referência da LFT no PAF, que passou de 46% a 50% para 49% a 53%.
A mudança ocorre enquanto o governo lida com a trajetória crescente do endividamento. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, com estoque de R$ 10,9 trilhões, conforme dados divulgados nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central.
Para os investidores, a maior fatia de títulos pós-fixados reduz o risco de mercado por apresentarem menor sensibilidade às oscilações de juros de longo prazo. Para a União, a medida significa maior exposição às decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.
A revisão do plano reflete a necessidade de administrar a dívida em um ambiente de juros elevados e a piora nas condições de financiamento. O perfil dos papéis determina o impacto de mudanças na Selic sobre o custo de financiamento do governo e as despesas com juros.


