No dia 28 de agosto de 1936, o então presidente Getúlio Vargas assinou o decreto que determinou a expulsão de Olga Benário Prestes do Brasil. A militante comunista, de origem judia, foi entregue ao governo de Adolf Hitler e posteriormente assassinada em uma câmara de gás no campo de concentração de Ravensbrück, em 23 de abril de 1942.
Olga foi presa em março de 1936, em uma operação com mais de 90 policiais, em um imóvel no bairro do Cachambi, Zona Norte do Rio de Janeiro. Na ocasião, ela estava com o marido, o líder comunista Luiz Carlos Prestes. O casal vivia na clandestinidade após a Intentona Comunista, movimento de 1935 sufocado pelo governo Vargas.
Apesar de a ativista alegar que era esposa legítima de Prestes e estar grávida de quatro meses, o governo manteve a decisão da deportação. A defesa de Olga recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um pedido de habeas corpus, mas a Corte negou o recurso sob a justificativa de que o direito havia sido suspenso por decreto presidencial.
A militante, nascida em Munique, tinha histórico de atuação no movimento comunista alemão e treinamento militar na União Soviética. Após a expulsão oficializada em agosto, ela foi deportada de navio em outubro de 1936. Ao chegar à Alemanha, foi detida pela Gestapo e deu à luz a filha, Anita Leocádia Prestes, no dia 27 de novembro daquele ano.
A criança permaneceu com a mãe até completar 14 meses, quando foi entregue à avó. Olga foi então enviada ao campo de concentração, onde morreu seis anos depois. Relatos de sobreviventes de Ravensbrück descrevem a militante como a mais corajosa do grupo, afirmando que ela nunca perdeu a fé diante dos carrascos nazistas.
Anita Prestes, filha do casal, tornou-se professora emérita do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e preside o Instituto Luiz Carlos Prestes, órgão que preserva a memória do pai e a última carta de despedida de Olga.

