O desperdício de alimentos em escolas dos Estados Unidos chega a 530 mil toneladas anualmente, volume que inclui sanduíches, frutas e lanches não consumidos. Para reverter o cenário, especialistas sugerem que os pais monitorem o conteúdo que retorna nas lancheiras e ajustem as porções conforme a aceitação real dos filhos.
Um estudante americano médio descarta cerca de 17,7 quilos de comida por ano no refeitório. Segundo Lauren Click, fundadora da organização Let’s Go Compost, as famílias possuem controle total sobre a lancheira, tornando-a um ponto estratégico para reduzir o lixo. A recomendação inicial é observar durante duas semanas quais itens não são tocados ou são parcialmente consumidos.
Lizzie Horvitz, CEO da plataforma Finch, afirma que o ajuste deve ser feito com base no que efetivamente volta para casa, e não no que parece equilibrado no papel. Horvitz sugere que esse processo de observação seja intensificado em agosto e setembro, período de adaptação escolar, para eliminar o desperdício em pouco tempo.
O diálogo com a criança é apontado como essencial para entender a rejeição a certos alimentos. Click explica que motivos sociais, como a opinião de colegas, podem fazer com que a criança pare de comer frutas, por exemplo. Outros fatores incluem a dificuldade de abrir embalagens ou o tempo insuficiente para comer durante o intervalo.
A nutricionista Lindsey Schoenfeld orienta que a escola não é o local ideal para introduzir novos alimentos ou vegetais desconhecidos, tarefa que deve ser reservada para as refeições em casa. Ela sugere priorizar alimentos que a criança já aceita e escolher recipientes que se adequem à quantidade consumida, evitando potes excessivamente grandes que induzam o preenchimento desnecessário.
Sobre as quantidades, Schoenfeld recomenda, para crianças menores, cerca de meia xícara de fruta, meia xícara de vegetais e uma porção de grãos. Para alunos do ensino médio, esses valores podem dobrar. A especialista também sugere verificar o horário do almoço, já que refeições muito cedo podem resultar em menor apetite, exigindo lanches mais substanciais após a saída da escola.
A utilização de sobras do jantar em recipientes térmicos é outra alternativa citada por Jessica Randhawa, desenvolvedora de receitas. Segundo a chef, a prioridade deve ser se o alimento será consumido, pois recipientes reutilizáveis perdem a função ambiental se a comida em seu interior for descartada.

