Morreu na última sexta-feira (28), aos 84 anos, o Grande Mestre de jiu-jitsu Álvaro Barreto. Discípulo direto de Hélio Gracie e faixa vermelha 9º grau, Barreto atuou por mais de seis décadas no ensino da modalidade e participou da organização esportiva do jiu-jitsu no Rio de Janeiro.
Nascido em setembro de 1941, no Rio, Barreto iniciou os treinos na Academia Gracie aos 10 anos. Tornou-se instrutor aos 17 e posteriormente formou-se em Educação Física, integrando técnica, defesa pessoal e competição à sua metodologia de ensino.
Em 1967, ele integrou a criação da Federação de Jiu-Jitsu da Guanabara ao lado de Hélio Gracie, João Alberto Barreto, Hélcio Leal Binda e Oswaldo Fadda. No ano seguinte, fundou a Academia Corpo Quatro, em Copacabana, onde graduou cerca de 20 faixas-pretas e formou nomes como Sylvio Behring, Guilherme Machado e Wagner Cardoso.
A influência de Barreto estendeu-se a gerações posteriores, chegando ao ex-campeão do UFC Fabrício Werdum por meio da linhagem de Behring. Nos últimos anos, o mestre manteve vínculo com a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Desportivo (CBJJD), que publicou homenagem destacando a sabedoria e o legado do esportista.
O ator Raul Gazolla, faixa-preta da modalidade, afirmou que Barreto passou sua filosofia e disciplina a dezenas de faixas-pretas, que formaram centenas de outros alunos. O faixa-coral Sergio Malibu definiu o mestre como uma testemunha de uma época em que o jiu-jitsu ainda estava sendo construído.
Barreto também atuou na administração pública. O ex-secretário estadual de Esporte do Rio de Janeiro, Rafael Picciani, informou que o mestre integrou a equipe da pasta durante sua gestão, colaborando para o fomento e desenvolvimento do esporte brasileiro.

