O Centro Cultural Correios, no Centro do Rio, confirmou a manutenção das exposições em processo de produção com agenda prevista até dezembro deste ano. A decisão ocorre após a suspensão do calendário em junho, motivada por uma reestruturação financeira na estatal, que registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre.
A instituição havia comunicado a interrupção das atividades a artistas e curadores sob a justificativa de readequação interna. O anúncio gerou receio entre produtores que planejavam abrir mostras durante a ArtRio, evento que ocorre entre 16 e 20 de setembro para o público geral.
Em nota, a empresa informou que revisa o modelo de cessão de uso do espaço com foco em sustentabilidade e otimização de recursos. Novas diretrizes e critérios para a ocupação do centro cultural devem ser elaborados para o ano que vem, enquanto as tratativas com proponentes seguem em curso.
A instabilidade na programação afetou projetos já finalizados. Uma das exposições suspensas foi cancelada pela própria equipe após a falta de respostas concretas, vindo a receber uma nova data da instituição com apenas dez dias de antecedência, quando já estava comprometida com outro local.
Atualmente, o espaço abriga a mostra “Matéria familiar”, de Maria Cherman e Nathalie Ventura, que deveria ter sido aberta em 8 de julho. Segundo a artista Nathalie Ventura, o local representa uma oportunidade de entrada no mercado para profissionais que buscam a primeira exposição individual.
Galerias indicam que preferem desconsiderar o espaço temporariamente para futuras mostras até que a reestruturação seja concluída. O centro é procurado por artistas em início de carreira devido à localização no circuito artístico do Centro e aos custos reduzidos, com projetos em salas menores partindo de R$ 10 mil.
Carla Oliveira, diretora artística de mostras no local, afirmou que a visibilidade da instituição alavanca carreiras de artistas que muitas vezes não encontram espaço em outras instituições. Oliveira disse que a possibilidade de perda do espaço prejudica todo o cenário cultural da cidade.


