A mesa de operações do JPMorgan adotou uma postura taticamente cautelosa em relação às ações americanas nesta segunda-feira (31). A mudança ocorre após declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que elevou as apostas do mercado em novos aumentos de juros ainda este ano devido à inflação persistente.
Andrew Tyler, chefe de inteligência de mercado para os Estados Unidos no banco, abandonou a visão otimista para o período que antecede a decisão de política monetária do Fed, marcada para 16 de setembro. Tyler afirmou em relatório que, embora os fundamentos do mercado acionário continuem fortes, variáveis de curto prazo devem provocar oscilações laterais nos preços.
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos ultrapassou 4,75% nesta segunda-feira, nível não atingido desde janeiro de 2025. O movimento foi impulsionado pela alta do petróleo e pelas expectativas de aperto monetário. Atualmente, o mercado de swaps indica probabilidade de 70% de uma elevação de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do banco central.
O analista apontou três fatores de pressão: a incerteza sobre a trajetória dos juros, a sazonalidade negativa de setembro para as bolsas e a perda de força de ações ligadas à inteligência artificial. Segundo Tyler, a falta de sinalizações antecipadas de Warsh sobre a política monetária gera falta de clareza sobre a intensidade de um eventual ciclo de aperto.
Em Nova York, o índice S&P 500 registrava queda de 0,5% por volta das 12h30. As empresas de serviços públicos, sensíveis às taxas de juros, lideraram as perdas, enquanto o setor de energia limitou a queda geral. O petróleo subiu após novos ataques entre Estados Unidos e Irã. Apesar do recuo diário, o índice acumulava valorização de 2,5% em agosto.
A agenda econômica terá como pontos centrais o relatório de emprego, nesta sexta-feira, e os dados de inflação ao consumidor, previstos para 11 de setembro. Economistas estimam a criação de 55 mil vagas em agosto. Tyler declarou que a reunião de 16 de setembro tornou-se decisiva, embora considere improvável a ocorrência de uma recessão nos próximos trimestres.


