O estrategista digital argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos, foi preso na Bolívia sob a suspeita de ter planejado e articulado uma tentativa de feminicídio contra a advogada Nadia Beller, de 33 anos. A detenção ocorreu no aeroporto de Santa Cruz de la Sierra, quando o consultor tentava embarcar para Buenos Aires.
O ataque aconteceu no dia 17 de agosto, no hotel Swissotel, em Santa Cruz de la Sierra. Imagens de segurança mostram dois homens com roupas de entregadores de aplicativos que dispararam três vezes contra a vítima, atingindo-a no peito, no braço e no lado direito do corpo. Nadia Beller sobreviveu após passar por cirurgia de emergência.
Segundo a acusação do Ministério Público, Cerimedo teria usado a relação afetiva para atrair a ex-companheira ao local. A promotoria afirma que o argentino seria o pai do filho que a advogada esperava, com gestação de quatro semanas na data do crime. Os promotores Herlan Rodríguez Cuevas e Yolanda Aguilera classificaram Cerimedo como o provável mentor do atentado.
Além do crime contra a advogada, as autoridades bolivianas investigam o consultor por lavagem de dinheiro, após encontrarem quantias de bolivianos, dólares e euros em cinco imóveis ligados a ele. No departamento de Beni, outra frente de investigação apura possíveis vínculos de Cerimedo com voos clandestinos de narcotráfico, baseando-se em declarações de Nadia Beller.
Cerimedo atuou como conselheiro pessoal do presidente boliviano Rodrigo Paz, que negou ter mantido contrato formal com o argentino após a prisão. Na Argentina, o presidente Javier Milei também declarou não ter ligação com o estrategista desde 2023, embora registros da Casa Rosada indiquem que Cerimedo visitou a sede da Presidência 13 vezes entre dezembro de 2023 e junho de 2024.
O argentino possui histórico judicial na Argentina, onde foi condenado em 2016 a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa, por fraude ao vender o mesmo apartamento para duas pessoas. Ele ganhou notoriedade internacional ao disseminar conteúdos falsos sobre o referendo chileno em 2020 e ao apresentar acusações de fraude nas eleições brasileiras de 2022.


