O Senado Federal selou, nesta segunda-feira (31), dez anos da cassação do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, ocorrida por 61 votos a 20. O aniversário da decisão expõe a fragmentação política entre os protagonistas do processo, com parte dos entusiastas do impeachment agora alinhados ao projeto do PT.
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou em entrevista que o processo foi fruto de seu ato ao aceitar o pedido de impeachment em dezembro de 2015. Cunha, que teve condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2021 e 2023, reconheceu o componente político da medida e declarou que parlamentares não queriam mais o governo do PT.
No dia 26 de agosto, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, gravou vídeo com Cunha. Na publicação, o parlamentar afirmou que o ex-presidente da Câmara abriu os olhos da população ao derrubar Dilma, a quem classificou como talvez a pior presidente da história do país.
Outros nomes do processo seguiram caminhos distintos. A professora de Direito Penal da USP, Janaína Paschoal, autora da peça do impeachment, relatou ter recusado convite de Jair Bolsonaro para ser vice na chapa presidencial de 2018 devido a pressões da base bolsonarista, que a considerava “boazinha”.
Simone Tebet, que votou pela cassação na época, apoiou Lula na eleição de 2022 e atuou como ministra do Planejamento. Atualmente, disputa o Senado por São Paulo com apoio do presidente. Renan Calheiros, que presidia o Senado em 2016 e votou a favor do afastamento, também concorre à recondução em Alagoas em chapa lulista.
O senador Lindbergh Farias, do PT, afirmou nesta segunda-feira via rede social que o processo não foi um impeachment, mas um golpe que abriu portas para o retrocesso. Enquanto isso, Dilma Rousseff comanda, desde 2023, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição do Brics, onde enfrenta denúncias de assédio moral e críticas por atraso em metas.


