A excreção de urina humana e o uso de combustíveis por escaladores aceleram o derretimento da geleira Khumbu, no Monte Everest, segundo estudo publicado em junho de 2026 na revista Regional Environmental Change. A pesquisa estima que 6 mil litros de urina são descartados diariamente na região durante a temporada de escaladas.
Na primavera de 2023, o volume de urina descartado na geleira contribuiu para a perda de aproximadamente 154 toneladas de gelo. Embora o Acampamento Base possua banheiros de fossa que atendem cerca de 2 mil pessoas, os pesquisadores identificaram que parte dos montanhistas urina diretamente sobre a neve. A prática gera preocupação quanto à contaminação de fontes de água usadas por comunidades locais.
O consumo de combustíveis fósseis para aquecimento e manutenção da estrutura do acampamento é, porém, o principal fator de degelo provocado por humanos. Somente na primavera de 2023, foram utilizados 18 mil litros de querosene, 5 mil litros de gasolina e 824 cilindros de gás liquefeito de petróleo para operar tendas, cozinhas e chuveiros.
Dados de campo e imagens de satélite entre 1991 e 2023 revelam que o Acampamento Base aqueceu duas vezes mais rápido que a área de neve da geleira Khumbu. As taxas de derretimento na região dobraram desde 2009. A estimativa é que a área perca 3 milhões de quilos de gelo e neve a cada primavera devido à infraestrutura e ao consumo de energia.
O derretimento acelerado eleva o risco de avalanches e inundações por transbordamento de lagos glaciais no Nepal. O processo afeta a irrigação, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de água. Para mitigar os danos, os pesquisadores sugerem a transferência do Acampamento Base para uma área fora da geleira.
O estudo também registrou a presença de fezes congeladas em diversos pontos da montanha. Como alternativa, os autores apontam o uso de sacos específicos para a coleta de dejetos, embora a tarefa seja dificultada pela baixa disponibilidade de oxigênio em altitudes elevadas.


