Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente as negociações comerciais nesta segunda-feira (31), após orientação do presidente Donald Trump aos representantes da Casa Branca para buscar um entendimento com o governo Lula. O encontro ocorreu entre o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, o ministro do Itamaraty, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos.
O ministro Márcio Elias Rosa informou que a reunião não resultou em avanços em pontos concretos, mas estabeleceu um novo cenário para as conversas. A mudança de postura americana acontece após a imposição de tarifas de 37,5% sobre produtos brasileiros, medida que, segundo Rosa, gerou um desequilíbrio tarifário em favor dos Estados Unidos.
A retomada do diálogo foi atribuída a uma conversa por telefone entre os presidentes Lula e Trump. O representante americano teria confirmado a orientação de Trump para que a equipe de comércio trabalhasse por um acordo. O ministro afirmou que o retorno dos Estados Unidos à mesa de negociação ocorreu sem que o Brasil tivesse apresentado novas concessões.
Durante a reunião, o governo brasileiro contestou as justificativas americanas para as sobretaxas. Foram discutidos temas incluídos na investigação da Seção 301, como a política ambiental brasileira e o funcionamento do Pix. Rosa declarou que o sistema de pagamentos instantâneos é um patrimônio do país e não será objeto de negociação.
O Brasil também apresentou dados sobre a redução do desmatamento e defendeu a retirada de questões sem caráter econômico ou comercial das discussões. O ministro afirmou que não serão colocadas na mesa pautas que causem dano aos interesses econômicos nacionais.
Equipes técnicas dos dois países devem se reunir nos próximos dias, com novos encontros presenciais e virtuais previstos para as próximas semanas. Questionado se as rodadas podem resultar na retirada das tarifas, Rosa disse que o resultado dependerá das concessões de cada lado nas próximas etapas.


