O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (31) que o governador Tarcísio de Freitas perdeu o comando da segurança pública do estado. Em entrevista ao programa Roda Viva, o petista criticou a gestão das polícias, a estrutura tecnológica e a atuação do governo contra o crime organizado.
Haddad citou casos de roubo de cargas, buscas em delegacias e suspeitas de estupro de menor como evidências da falta de resposta da cúpula da segurança. Segundo o candidato, as promessas feitas às polícias Civil e Militar não foram cumpridas e a tecnologia do estado está defasada, afirmando que o programa Muralha Paulista não trouxe resultados.
A principal proposta para o setor é a criação de um gabinete antifacção. O órgão seria comandado pelo governador e integraria as polícias Civil, Militar e Penal, além da Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos estadual e federal. O candidato defendeu o compartilhamento de dados do Coaf e da Receita para rastrear movimentações financeiras de facções.
Sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), Haddad disse que o governador atual ignora as interconexões da organização fora de São Paulo e do Brasil. O candidato declarou apoio à PEC 18 de 2025, que amplia a coordenação da União sobre o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), e defendeu o fortalecimento da Polícia Federal.
O petista afirmou que a gestão de Tarcísio desorganizou a cadeia de comando da Polícia Militar ao aposentar integrantes experientes por critérios de “compadrio”. Ele defendeu a autonomia de corregedorias e da Controladoria-Geral do Estado para evitar a infiltração do crime organizado na máquina pública.
Dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) indicam que São Paulo possui 230.590 detentos em 180 unidades prisionais, com crescimento de 4,05% na população carcerária em relação ao fim de 2025. Já a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) registrou 1.193 vítimas de homicídio doloso entre janeiro e junho de 2026.

