Os Estados Unidos detalharam, nesta terça-feira (1), as condições de um acordo para controlar reservas de petróleo da Venezuela por meio da operadora North American Blue Energy Partners (NABEP). O governo americano terá direito de preferência para comprar a produção a preço de custo e deterá poder de veto sobre a diretoria da empresa.
De acordo com ficha informativa da Casa Branca, os EUA terão a primeira oportunidade de adquirir cerca de 80% da produção da NABEP, que recebeu concessões por 100 anos para explorar 17 campos petrolíferos. O Departamento de Estado também terá o direito de comprar uma parcela garantida de 20% da produção atual e futura.
A maioria dos membros do Conselho de Administração da NABEP deverá ser composta por cidadãos americanos. O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono deterá participação acionária de 35% na empresa controladora, o que, segundo a Casa Branca, representa centenas de bilhões de dólares e a geração de dividendos.
O presidente Donald Trump afirmou que pretende utilizar o petróleo para recompor a reserva estratégica de emergência dos EUA. O governo informou que os contribuintes não financiarão o empreendimento. A medida faz parte da chamada Doutrina Donroe, que visa ampliar a influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
A NABEP planeja elevar a produção no Lago de Maracaibo e na Faixa do Orinoco para mais de um milhão de barris por dia. Atualmente, a produção diária do país é de cerca de 1,1 milhão de barris. A meta ocorre em um cenário de infraestrutura degradada, com oleodutos enferrujados e equipamentos danificados por falta de investimento.
O acordo ocorre sete meses após a captura de Nicolás Maduro em operação militar secreta. Setores da oposição venezuelana manifestaram preocupação de que o pacto com a presidente interina, Delcy Rodríguez, possa consolidar o poder dela e dificultar a transição política. A Casa Branca informou que uma nova rodada de negociações com a oposição deve começar em setembro.


