Títulos de dívida pública dos Estados Unidos e do Japão registraram fortes perdas nesta terça-feira (1), impulsionados pela percepção de piora nas contas fiscais de países desenvolvidos. O cenário é agravado pela alta do petróleo, decorrente da crise no Irã, que eleva o temor de inflação e juros mais altos.
A taxa dos títulos do governo japonês de 10 anos atingiu 3%, marca não vista desde 1996. No Reino Unido, os rendimentos dos papéis de 30 anos alcançaram o nível mais alto desde 1998. Já os Treasuries americanos de 10 anos voltaram a patamares registrados em janeiro do ano passado.
Um índice da Bloomberg que monitora títulos soberanos globais avançou pela quarta sessão consecutiva, chegando a 3,72%. O valor é o maior desde meados de 2008, período da crise financeira global. Segundo Idanna Appio, analista da First Eagle Investments, os mercados precificam juros mais elevados nos EUA e no mundo.
A dívida pública dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões no mês passado, representando mais de 120% do PIB. Na França, o endividamento ultrapassou € 3,5 trilhões, o equivalente a 117% da economia. O Japão mantém gastos elevados mesmo com dívida pública superior ao dobro do tamanho de sua economia.
A demanda por títulos soberanos também enfrenta concorrência de empréstimos contraídos por empresas de tecnologia americanas para financiar inteligência artificial. Paralelamente, hostilidades entre EUA e Irã ameaçam o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, pressionando os preços do petróleo e a inflação.
Operadores preveem probabilidade de quase 70% de que o Federal Reserve eleve os juros em 0,25 ponto percentual na reunião deste mês. Movimentos semelhantes são esperados no Banco Central Europeu e no Banco do Japão. Laura Cooper, estrategista da Nuveen, afirmou que a tendência será de juros mais altos.
A situação impõe desafios ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que anunciou a recompra de títulos no mês passado para conter a alta dos juros. O cenário também pressiona o presidente Donald Trump, pois o custo de financiamento mais caro pode impactar a economia antes das eleições legislativas de novembro.


