O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) realiza, nesta terça-feira (1º), buscas e apreensões contra um grupo que fraudava licitações de cantinas em presídios do Rio. A organização criminosa teria causado prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos.
A operação, segunda fase da Snack Time, ocorre nesta manhã na capital e nas cidades de Mesquita e Duque de Caxias. Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas pelo esquema, chamado de “máfia das cantinas”, que funcionou entre 2015 e 2024 para eliminar a concorrência nos certames de administração dos espaços.
Segundo o Gaeco, o grupo utilizava empresas que aparentavam ser concorrentes, mas respondiam a um mesmo centro decisório. Em uma disputa realizada em 2019, a organização conseguiu obter 38 dos 40 lotes disponibilizados. O objetivo era impedir a entrada de novos competidores no mercado de exploração das unidades estaduais.
A denúncia aponta a participação de agentes públicos, incluindo o então subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento, Rafael Rodrigues de Andrade. De acordo com o MPRJ, Andrade desclassificava sociedades empresariais que não pertenciam ao grupo para favorecer o esquema.
Outros seis nomes foram identificados como responsáveis por acertar a distribuição dos lotes: Anderson Sabino de Oliveira, o policial penal Ronaldo Barbosa Souza, Arildo Santana Filho, Sérgio Rômulo Ferreira do Nascimento, Leandro Rodrigues Mendonça e Alexandre Costa da Silva.
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que a investigação começou na Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen) e na Corregedoria da instituição. A pasta declarou que as atividades das cantinas nos presídios foram finalizadas em 2024 e que não compactua com desvios de conduta de servidores.
Além da punição criminal, o Ministério Público pediu a condenação dos envolvidos ao pagamento de R$ 25 milhões para a reparação dos danos causados ao Estado.


