Enchentes repentinas no Parque Nacional do Grand Canyon, no Arizona, deixaram ao menos duas pessoas mortas e um desaparecido no último fim de semana. Cerca de 80 pessoas foram resgatadas após tempestades atingirem a trilha mais popular do parque e a área de um alojamento histórico no sábado.
As águas arrastaram rochas e destroços em direção ao Rio Colorado, destruindo vias de passagem e comprometendo a infraestrutura local. Autoridades informaram nesta terça-feira (1º) que os trabalhos de busca e resgate continuam para localizar a pessoa desaparecida.
A inundação causou danos graves à única tubulação que abastece os visitantes do parque. Segundo o vice-superintendente do Grand Canyon, Brian Drapeaux, estimativas baseadas em sobrevoos indicam que 40% da rede foi danificada. A estrutura, concluída na década de 1970, já havia rompido mais de 85 vezes desde 2010. Um projeto de US$ 208 milhões para a modernização do sistema, iniciado em 2023, teve cronograma incerto após o desastre.
O hidroclimatologista A. Park Williams, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que a temporada de monções deste ano está mais intensa devido ao forte El Niño, que aumenta a quantidade de vapor d’água na atmosfera. O cientista climático Daniel Swain, do Instituto de Recursos Hídricos da Califórnia, explicou que chuvas intensas de curta duração no oeste dos Estados Unidos ficaram 10% mais fortes desde o ano 2000.
Outros fatores geográficos e ambientais potencializaram o impacto. A falta de vegetação em áreas atingidas pelo incêndio Dragon Bravo, ocorrido em julho de 2025, reduziu a absorção da água pelo solo. Além disso, a região enfrenta uma seca persistente que levou o Rio Colorado a níveis mínimos históricos. A geografia íngreme do cânion canaliza a água com velocidade por vários quilômetros.


