O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, resultado superior às expectativas de mercado, mas inferior aos 1,1% registrados nos três primeiros meses do ano. O índice reflete a perda de tração em setores sensíveis às taxas de juros, como a construção civil e o consumo das famílias.
O crescimento do período foi sustentado por setores menos impactados pelo ciclo econômico, como a agropecuária e a indústria extrativa mineral, que dependem de safras e da extração de petróleo e gás. Em contrapartida, houve retração no consumo das famílias e recuos na indústria de transformação.
O setor de serviços, tipicamente cíclico, apresentou arrefecimento na base interanual, passando de uma expansão de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo, segundo Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval. Rodolfo Margato, economista da XP, afirmou que os resultados foram fracos e mostram uma economia perdendo tração.
Leonardo Costa, do ASA, explicou que segmentos dependentes de crédito continuam perdendo dinamismo, sugerindo que essa fraqueza se estenda para o terceiro trimestre. Gustavo Rostelato, da Armor Capital, disse que a queda no consumo e a absorção doméstica estável evidenciam a perda de tração da demanda interna.
Diante dos dados, instituições financeiras revisaram projeções. O ASA reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2026 de 2% para 1,8%. O Banco Daycoval ajustou a previsão para 1,8% ao final do ano, enquanto o Banco BV prevê alta de 0,2% no terceiro trimestre, mantendo a projeção anual em 1,9%.
A XP atribuiu viés baixista à sua projeção de 2% para 2026, estimando estagnação no segundo semestre e alta de apenas 1% em 2027. A instituição projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) realize três cortes sucessivos de 0,25 ponto percentual, encerrando a Selic em 13,25% em 2026 e 11,5% em 2027.

