A Shein estreou na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1º), arrecadando US$ 1,7 bilhão (R$ 8,8 bilhões) em sua oferta pública inicial (IPO). As ações chegaram a cair 10% na abertura do pregão, mas recuperaram parte da perda e fecharam o dia com recuo de 0,1%, cotadas a HK$ 48,50 por unidade.
A avaliação da empresa no mercado acionário foi de aproximadamente US$ 26,3 bilhões (R$ 136 bilhões). O montante é inferior aos quase US$ 100 bilhões (R$ 518 bilhões) atingidos em rodadas de financiamento privado no ano de 2022. A companhia informou que os recursos arrecadados serão destinados ao fortalecimento de capacidades tecnológicas e à expansão internacional.
A abertura de capital ocorre em um período de desaceleração do crescimento e pressão regulatória. A varejista enfrenta a eliminação de isenções tarifárias para pequenos pacotes nos Estados Unidos e a imposição de taxas pela União Europeia, que fixou em € 3 (R$ 18,05) a cobrança por itens abaixo de € 150. Na França, começou a ser aplicado nesta terça-feira um imposto sobre moda ultrarrápida que pode chegar a € 20 (R$ 120,3) por peça.
No campo financeiro, a Shein obteve US$ 2,06 bilhões (R$ 10,6 bilhões) em 2025, mas registrou prejuízo de US$ 99 milhões (R$ 512 milhões) no primeiro trimestre deste ano. O cenário é agravado pela concorrência de plataformas como Temu e AliExpress. No fim de 2025, a empresa possuía 156 milhões de usuários ativos mensais na Europa.
Análises de mercado indicam que a recepção morna reflete a cautela dos investidores com o setor de varejo online, que perdeu espaço para empresas de inteligência artificial e robótica. Han Lin, diretor para a China da consultoria The Asia Group, afirmou que a fraqueza inicial da cotação sugere que o mercado exige provas de viabilidade, e não apenas promessas.
A empresa, que transferiu a sede para Cingapura entre 2021 e 2022, tenta agora realinhar-se com suas raízes chinesas. O CEO, Sky Xu, prometeu em aparição pública na província de Guangdong alocar mais recursos para o país. Anteriormente, a Shein havia tentado listar suas ações em Nova York e Londres, mas os planos foram barrados por questões regulatórias.


