Tim Cook deixa o cargo de presidente-executivo da Apple nesta terça-feira (1º de setembro), transferindo o comando da companhia para John Ternus. Cook assume a presidência-executiva do conselho de administração, onde passará a orientar as relações da empresa com formuladores de políticas públicas, especialmente no contexto de tensões entre Estados Unidos e China.
Ternus, que era o chefe de hardware e está na empresa desde 2001, assume a liderança em um momento de pressão para que a fabricante do iPhone avance na integração de inteligência artificial. Segundo Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da Zacks Investment Management, o novo CEO precisa provar que a IA será mais do que um aplicativo ou uma evolução da assistente Siri.
Durante os 15 anos de mandato, Cook elevou o valor de mercado da Apple de US$ 350 bilhões para mais de US$ 4,5 trilhões. As vendas anuais saltaram de US$ 108 bilhões no início de sua gestão para US$ 416 bilhões no último ano fiscal, com lucro atingindo US$ 112 bilhões. A estratégia focou na transformação de 2,5 bilhões de usuários de iPhone em receita recorrente.
O setor de aparelhos vestíveis, incluindo Apple Watch e AirPods, registrou vendas de US$ 35 bilhões no ano fiscal de 2025. Christopher Brown, consultante financeiro da Synovus Securities, afirmou que Cook criou uma cultura orientada por valores que gerou lealdade dos consumidores e trilhões de dólares em receita.
Apesar dos números, a gestão de Cook enfrentou críticas por perdas em inovação e falhas em projetos. A empresa descartou em 2024 um plano de veículos elétricos que durou dez anos e teve dificuldades com as vendas do headset Vision Pro, lançado em 2023 por US$ 3.499. O lançamento do Apple Maps, em 2012, também foi apontado como um erro notório.
No campo operacional, a Apple iniciou a transferência de parte da fabricação da China para a Índia e Vietnã para mitigar riscos de tarifas comerciais. A meta é que a maioria dos iPhones destinados aos Estados Unidos seja fabricada na Índia até o final de 2026. Bill Birmingham, diretor-gerente da REX Financial, disse que Cook reformulou a Apple como instituição para focar em estratégia e alocação de recursos.


