O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), editou a versão final de um contrato de R$ 131 milhões em serviços advocatícios firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci Moraes, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a imprensa local.
A edição do documento estaria registrada nos metadados do arquivo, encontrado em conversas de WhatsApp no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Comlice Zero. O sistema Office 365 teria sido utilizado para a alteração, sob o perfil intitulado “Ministro Alexandre de Moraes”.
Em nota, o escritório Barci de Moraes informou que o setor de compliance da empresa solicitou informações ao ministro para que ele indicasse a existência de eventuais impedimentos em relação ao contrato, devido à sua condição de marido da advogada.
A apuração indica que Vorcaro e Moraes trocaram mensagens em novembro de 2025. Uma semana antes de ser preso, o banqueiro escreveu ao ministro pedindo que tentasse sensibilizar um interlocutor chamado Andrei para atrasar um processo, alegando que, devido a um feriado, o banco não quebraria.
Outras mensagens enviadas no dia 17 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro, questionam se o ministro teria conseguido bloquear algo e mencionam que o tema de conversas anteriores teria começado a vazar, citando movimentações no BRB e perguntas de uma jornalista.
A Polícia Federal (PF) concluiu que o interlocutor das mensagens era o ministro do STF após solicitação do ministro Anderson Mendonça. As respostas de Moraes teriam sido enviadas no formato de visualização única, o que impediu o registro do conteúdo.
Daniel Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.

