A Casas Bahia protocolou, no dia 16 de agosto, um pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões, um dos maiores volumes já registrados no varejo brasileiro. A medida ocorre em um cenário de alta no custo do crédito e recorde de endividamento das famílias no país.
Outras redes do setor seguiram caminho semelhante. A Marabraz entrou com pedido de R$ 140,2 milhões um dia antes da Casas Bahia, enquanto a Tok&Stok acionou o mecanismo em maio, após registrar prejuízo de R$ 232,7 milhões e queda de 37,3% na receita no segundo trimestre.
Até junho, o Brasil somava 7.726 empresas em recuperação judicial, alta de 20,5% em doze meses, segundo a Serasa Experian. No varejo, foram 986 companhias no primeiro semestre, avanço de 20,4% na comparação anual.
A taxa Selic começou 2026 em 15% ao ano e chegou a 14% em agosto, conforme dados do Banco Central. O custo do crédito pressionou o caixa de empresas com dívidas acumuladas desde 2022. Paralelamente, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que 82% das famílias brasileiras estão endividadas, com o cartão de crédito presente em 85,3% dos casos.
Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, público tradicional de móveis e eletrodomésticos, o índice de endividamento é de 84,9%. O processo de recuperação judicial suspende cobranças por 180 dias para renegociação com credores. No caso da Casas Bahia, a ação envolve mais de 19 mil credores, sendo que 94,8% não possuem garantia real.
O advogado Antônio Frange Júnior, especialista em reestruturação de empresas, afirmou que o instrumento deixou de ser um sinal de vulnerabilidade para se tornar uma decisão estratégica de reorganização de contas. O mercado interpreta o uso do recurso por grandes companhias como uma medida de gestão diante dos juros elevados.

