Um levantamento do Instituto Update sobre 12 candidaturas à Presidência da República revelou que as propostas dirigidas às mulheres se concentram nos temas de violência, saúde e cuidado. O estudo indica que questões ligadas à participação política e à presença feminina em espaços de poder tiveram menos espaço nos planos de governo.
Apenas um candidato apresentou proposta específica sobre participação político-eleitoral feminina, abrangendo combate à violência de gênero, formação de lideranças e financiamento partidário. Outro candidato incluiu incentivos à liderança e o compromisso de indicar mulheres para vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, afirmou que os programas reconhecem problemas que afetam as mulheres, mas avançam pouco ao incorporá-las como sujeitos de decisão.
A violência contra a mulher é a pauta mais disseminada, presente em 75% dos planos analisados. As propostas incluem a ampliação de casas-abrigo, monitoramento de agressores e endurecimento penal. No entanto, o instituto apontou que a insegurança que restringe a circulação urbana é pouco abordada; apenas um candidato relacionou a segurança feminina à mobilidade e ao transporte público.
Sobre a autonomia econômica, 58% dos planos trazem propostas de renda, crédito ou empreendedorismo. Em cinco desses projetos, é mencionada a igualdade salarial. O levantamento identificou que há convergência sobre a importância da autonomia, mas divergência nos caminhos para atingi-la, variando entre a oferta de direitos e proteção social ou o foco em educação financeira e patrimônio.
Políticas de cuidado, como a oferta de creches, também aparecem em 58% dos programas. O instituto observou que o tema é tratado ora como infraestrutura pública para ampliar a participação no mercado de trabalho, ora como apoio a responsabilidades familiares e à maternidade. Para o Update, a disputa reside na definição do papel do Estado e de quem deve assumir a responsabilidade pelo cuidado.


