A presidente da Rhodia para a América Latina, Daniela Manique, afirmou nesta terça-feira (1º) que a indústria brasileira não tem condições de custear os programas sociais do país. A declaração ocorreu durante evento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em São Paulo, onde a executiva apontou a energia e a matéria-prima como entraves à competitividade.
Manique explicou que a indústria química, uma das maiores consumidoras de eletricidade do Brasil, tem absorvido encargos adicionais para subsidiar a população de baixa renda. A executiva defendeu que a gratuidade da energia para os mais pobres deveria ser um programa de Estado ou de governo, sem onerar o setor produtivo.
O encontro marcou a apresentação da Agenda Estratégica para a Indústria Química Brasileira 2027-2035. O documento estabelece diretrizes para recuperar a competitividade, ampliar investimentos e diminuir a dependência de insumos estrangeiros.
A presidente da Rhodia criticou a gestão do gás natural no país, citando a falta de separação de frações como etano e propano. Segundo Manique, a reinjeção recorde de gás nos poços de petróleo favorece a produção imediata de óleo, mas reduz a vida útil dos poços e retira matérias-primas essenciais da indústria.
Diante da falta de gás, o setor utiliza nafta, cujo comércio é monopolizado no Brasil. Manique afirmou que o país paga o preço mais caro do mundo pelo produto. Os custos de gás natural chegam a ser quatro vezes superiores aos de outros países, enquanto nafta e eletricidade custam o dobro.
A executiva alertou que o enfraquecimento da indústria doméstica deixa o Brasil exposto a oscilações internacionais, citando o mercado de fertilizantes para a soja. O setor ficaria vulnerável a conflitos geopolíticos e crises como a da pandemia caso a desindustrialização química avance.

