A advogada Viviane Barci de Moraes afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi consultado sobre o contrato de R$ 131 milhões assinado entre o escritório dela e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para serviços de consultoria jurídica.
Em nota, Viviane declarou que solicitou informações via compliance do escritório sobre eventuais impedimentos legais para a contratação. A advogada afirmou que o documento só foi assinado após a comprovação de que não havia restrições, argumentando que o ministro jamais julgou causas envolvendo a instituição financeira.
Metadados de um arquivo enviado por WhatsApp a Vorcaro indicam que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” às 23h04 de 15 de janeiro de 2024. A edição ocorreu cerca de uma hora e 40 minutos após Vorcaro enviar o arquivo a Viviane. O autor original do documento era Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório.
O acordo previa remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por 36 meses, a partir do início de 2024. O escritório de Viviane informou que, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, entregou 36 pareceres e realizou 94 reuniões de trabalho. Os pagamentos foram interrompidos após a primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025.
Paralelamente, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre um relatório da Polícia Federal (PF). O documento detalha mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro. Mendonça deu prazo de cinco dias para a resposta do procurador-geral, Paulo Gonet.
Segundo a investigação, Vorcaro teria escrito ao ministro do STF pedindo a interlocução com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com Paulo Gonet para tentar adiar uma operação policial. O banqueiro teria alegado que o adiamento evitaria a quebra do banco. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.


