Um colapso de geleira e deslizamentos de terra no Himalaia, ocorridos no dia 26 de agosto, deixaram mais de 1.000 mortos e cerca de 4.500 desaparecidos entre o Nepal e o Tibete. A avalanche de água, rochas e solo desceu pelo vale do rio Trishuli, destruindo casas, escolas e infraestruturas energéticas em regiões remotas.
As autoridades do Nepal mobilizaram 19 mil agentes de segurança e 16 helicópteros para as operações de resgate. Até o momento, 11 mil pessoas foram salvas, mas a busca continua por centenas de trabalhadores que estariam presos em túneis de projetos hidrelétricos ao longo do rio Trishuli. Devido à falta de espaço em necrotérios, quase 200 corpos não identificados foram enterrados em valas comuns em uma área florestal no distrito de Chitwan.
O Ministério da Fazenda do Nepal estimou que os danos materiais somam US$ 8 bilhões. O desastre afetou 15 usinas hidrelétricas, resultando na perda de 11% da capacidade total de geração de energia do país. A Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal calculou que os danos apenas nas usinas chegam a US$ 230 milhões. Além disso, 69 escolas foram atingidas, afetando 19 mil crianças.
Geólogos descreveram o evento como a maior avalanche de rocha e gelo já registrada, com o deslocamento de 200 milhões de metros cúbicos de detritos. O fenômeno teria sido causado por uma falha na rocha base, provocada pelo derretimento do permafrost, que desencadeou um tremor de magnitude 5,2 e enviou uma parede de lama e pedras com até 80 metros de altura contra a fronteira entre Nepal e China.
O governo do primeiro-ministro Balendra Shah, de 35 anos, inicialmente recusou ajuda externa, mas depois solicitou pessoal técnico especializado para resgates em túneis e a realização de testes de DNA em corpos. A apuração indica que a alta mortalidade em áreas rio abaixo foi agravada por falhas no planejamento urbano e na fiscalização de leis de zoneamento, que permitiram a construção de moradias nas margens dos rios.


