Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que ele orientou um ex-sócio, Angelo Silva, a restringir o acesso ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O acordo previa o pagamento de R$ 131 milhões ao escritório de Viviane Barci de Moraes ao longo de três anos, com parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. Em 1º de abril de 2025, Vorcaro questionou o paradeiro do documento e instruiu o sócio a não permitir que ninguém tivesse acesso ao conteúdo.
Em diálogos de março de 2025, o ex-banqueiro cobrou a realização de pagamentos ao escritório, classificando o acordo como o contrato mais importante da instituição. Vorcaro afirmou que a falha no pagamento causaria problemas e ordenou que a transação fosse efetuada imediatamente.
A Polícia Federal apreendeu o aparelho de Vorcaro durante investigações envolvendo o Banco Master. Entre os arquivos analisados, os investigadores localizaram a minuta do contrato. Segundo apuração da imprensa local, os metadados do arquivo indicam que o documento foi editado por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Outras mensagens mostram a relação entre o banqueiro e o ministro antes da prisão de Vorcaro. No dia 14 de novembro de 2025, o ex-banqueiro enviou textos expressando gratidão a Moraes e sua família por meio de fotos de visualização única no WhatsApp. No dia 16, ele solicitou um encontro rápido com o magistrado.
Daniel Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai. A PF também encontrou registros de que, na semana anterior à detenção, o banqueiro teria pedido ajuda a Moraes para tentar adiar uma operação, mencionando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.


