O governo dos Estados Unidos revelou, nesta segunda-feira (31), detalhes de um acordo com a Venezuela para controlar 21% das reservas de petróleo do país sul-americano pelos próximos 100 anos. A operação será realizada pela North American Blue Energy Partners (Nabep), empresa privada ligada ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA.
A Nabep, que possui 35% de suas ações sob controle do Departamento de Guerra, concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar 20% da produção de todos os campos operados ao custo de produção. O governo americano também detém o direito de preferência na compra dos 80% restantes e possui poder de veto na nomeação de membros do conselho de administração da companhia, que deve ser composta majoritariamente por cidadãos americanos.
O acordo, assinado pelos secretários Pete Hegseth, da Guerra, e Marco Rubio, do Estado, abrange 17 campos avaliados em 65 bilhões de barris. A Casa Branca declarou que a medida reafirma a Doutrina Monroe, visando a predominância de Washington na América Latina e a expulsão de influências russas, chinesas ou cubanas da Venezuela.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que a parceria permitirá recuperar a infraestrutura energética com investimentos de US$ 100 bilhões e a arrecadação de US$ 209 bilhões em impostos em 25 anos. No entanto, a declaração de Rodríguez sobre o prazo de 25 anos contradiz a informação de 100 anos divulgada pelos Estados Unidos.
A mudança ocorre após a Venezuela alterar a Lei do Petróleo para permitir a exploração por empresas privadas, processo iniciado menos de um mês após o sequestro do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, por forças especiais dos EUA. A pesquisadora Thaís Batista, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), disse que a relação pode ser considerada neocolonial devido ao uso da força para estabelecer um novo governo e modificar leis.
O empresário Alejandro Betancourt, chefe da Nabep, comemorou o acordo nesta terça-feira (1). A companhia, com sede em Barbados e filiais em Caracas, Maracaibo e Lechería, informou que aumentou a produção na Venezuela de 18 mil para 200 mil barris por dia após investir US$ 1 bilhão. O professor Francisco Rodríguez, da Universidade de Denver, questionou a legalidade das concessões, afirmando que o prazo é o dobro do maior já concedido pelo país.


