Um relatório da Polícia Federal (PF) afirma que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o financiamento da viagem de seu filho para um evento em Londres. As informações surgiram nesta terça-feira (1º) após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo das investigações.
De acordo com a PF, as mensagens foram trocadas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, que atuava como interlocutor do chefe do Ministério Público Federal. O evento, chamado 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, ocorreu entre 24 e 26 de abril de 2024 no hotel The Peninsula, com custeio do Banco Master.
O inquérito detalha que a comitiva incluiu uma degustação de whiskey Macallan, com custo de US$ 640.831,88. Em 29 de março de 2025, Soares teria questionado Vorcaro sobre a possibilidade de o filho de Gonet acompanhar o grupo. O banqueiro respondeu que a ida era óbvia.
Registros de 11 de abril mostram que uma funcionária de Vorcaro, Ana Matos, solicitou a lista de convidados com despesas pagas. O fundador do banco rejeitou bancar outros participantes, mas abriu exceção para Ciro Soares e para o filho do procurador-geral, referindo-se a eles como “Pedro e ciro ok”.
O relatório da PF também menciona a existência de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Em 15 de março de 2025, Ciro Soares enviou uma foto com Gonet ao banqueiro e disse que o procurador-geral queria falar com ele.
O procurador-geral da República, o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos contatos para comentar o teor do relatório. A PF não localizou telefone ou e-mail válido para Ciro Soares.


